Nahjul Balagha Sermão nº 91

12:08 - 2021/09/16

-A clássica seleção de sermões, cartas e ditos do Imam Ali ibn abi Taleb (que a paz esteja com ele), o Príncipe dos Fiéis, compilada pelo grande sábio Sharif al-Radhi. Esta obra é a segunda mais importante na literatura ética-moral islâmica, ficando atrás apenas do Alcorão Sagrado, e é um retrato fiel do caráter, eloquência e grandiosidade do Imam Ali (que a paz esteja com ele).

Nahjul Balagha Sermão nº 91

 

Este sermão é conhecido como o Sermão dos Esqueletos, e é um dos mais férteis sermões de Amirul Muminin (A.S.). Massada Ibn Sadaqa, baseado no veraz Já’far Ibn Mohammad (A.S.) relatou que ele (Amirul Muminin) o ministrou em resposta a alguém que lhe pediu que descrevesse Deus, de tal modo que ele o pudesse ver com os próprios olhos. Amirul Muminin (A.S.) ficou zangado, e proclamou as palavras abaixo.

Louvado seja Deus cuja recusa em dar e parcimônia não o torna rica, e cuja magnificência, e generosidade não o tornam pobre, embora todo aquele que dá perde, exceto Ele, e todo miserável é reprovado por sua mesquinhez. Ele favorece por meio de generosas benesses, de dádivas abundantes e de concessões. Toda a criação é sua família. Ele lhe garantiu a sobrevivência e lhe ordenou a subsistência. Preparou o caminho para aqueles que se voltam a Ele e para aqueles que buscam o que há com Ele. É tão generoso acerca do que lhe é pedido, como o é acerca do que não é. Foi o Primeiro para o qual não houve “antes”, sendo que nada poderia ter havido antes dele. É o derradeiro para o qual não há “depois”, sendo que não pode haver nada depois dele. Evita que as pupilas dos olhos das pessoas o vejam ou o percebam. O tempo não muda para Ele para que se admita qualquer mudança de condição acerca dele. Não está em lugar algum, para que se possa admitir movimentação a Ele. Caso Ele se desfizesse de tudo o que as minas das montanhas contém, ou de todo ouro, de toda prata, de todas as pérolas e de todos os apetrechos de coral que as conchas do oceano produzem, isso não lhe afetaria a munificência nem diminuiria o montante do que Ele possui. Em verdade, ele ainda estaria de posse dos tesouros das bênçãos que não diminuiriam pela demanda das pessoas, porque Ele é o ser generoso ao qual a petição dos solicitantes não o torna pobre, nem a pertinácia dos suplicantes o torna mísero. Então, inquiridor, tenha cuidado; limita-te àqueles atributos que o Alcorão descreveu e busca a luz do fulgor da sua diretriz. Entrega à Deus aquele conhecimento que Satã te incitou a buscar, o qual nem o Alcorão te prescreve que busques, tampouco há qualquer vestígio disso nas ações e nos ditos do Profeta ou nos outros líderes da diretriz. Este é o limite extremo que Deus impõe a ti. Fica sabendo que firmes no conhecimento estão aqueles que se contém em abrir as cortinas que vedam o que não é cognoscível, e que a consciência da sua ignorância quanto ao desconhecido oculto lhes impede maiores devassas. Deus se apraz com eles por causa da sua admissão de que estão incapacitados de adquirir um conhecimento que não lhes é permitido. Eles não se aprofundam na discussão do que não é da sua alçada, ou seja, o conhecimento de Deus, e chamam a isso firmeza. Fica contente com isso, e não limites a grandiosidade de Deus segundo a medida da tua própria inteligência, ou ver-te-ás entre os destruídos. Ele é de tal maneiro poderoso, que quando a imaginação disparar as suas setas para compreender a extensão do seu poder, e a mente, fazendo-se livre dos perigos dos maus pensamentos, tentarem encontrá-lo na profundeza do seu domínio e os corações ansiarem por aquilatar as realidades dos Seus atributos, e os desdobramentos da inteligência penetrarem além da descrição, a fim de assegurarem o conhecimento acerca do seu Ser, cruzando o obscuro limiar do não-cognoscível, concentrando-se nele, ele os rechaçará. Essas coisas retornarão derrotadas, admitindo que a realidade do conhecimento quanto a Ele não pode ser compreendida por tais esforços fortuitos e que nem um pingo da sublimidade da sua honra entra no entendimento dos pensadores. Ele originou a criação sem um modelo que pudesse seguir e sem qualquer espécime que fosse preparado por qualquer criador desconhecido que existisse antes dele. Ele nos mostrou o reino do seu poderio e as maravilhas que falam do seu saber. As confissões das coisas criadas, de que devem sua existência a Ele, fizeram-nos conscientes de que o argumento de conhecê-lo, foi fornecido, assim, não há desculpa quanto a isso. Os sinais do seu poder criador e dos estandartes do seu saber está fixado nas coisas maravilhosas que Ele criou. O que quer que seja que Ele criou, fê-lo como argumento a seu favor e uma diretriz rumo a Ele. Mesmo uma coisa muda constitui uma diretriz rumo a Ele, como se falasse; e a sua diretriz rumo ao Criador é clara. Ó! Deus, presto testemunho que aquele que te compara com o desmembramento das partes ou com a junção das extremidades do corpo, não familiarizou o seu eu interior com o conhecimento de ti, de que seu coração não se assegurou da convicção do fato de que não há parceiro algum junto a ti. É como se não tivesse ouvido os seguidores do erro a decantarem seus falsos deuses dizendo: “Por Deus, estávamos certamente em patente extravio quando vos comparamos com Deus, o Senhor do universo”. Estão errados aqueles que te comparam com os seus ídolos e te vestem com aparatos, pela sua imaginação, de criaturas; atribuem a ti, partes, como partes do corpo, pelo seu próprio pensamento, e te consideram segundo criaturas de vários tipos, por meio do trabalho da sua mente. Presto testemunho de que aquele que te compara com algo tirado da tua criação concebeu uma parelha para ti, e é um descrente de acordo com o que está relatado nos teus inequívocos versículos e indicado na evidência dos teus claros argumentos. Tu és o Deus que não pode estar confinado na mente, aponto de se imaginar mudança de condição, nem nos grilhões da mente, a ponto de tornar-se limitado e um objeto de alterações.

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