Nahjul Balagha Sermão nº 186

13:02 - 2021/11/01

-A clássica seleção de sermões, cartas e ditos do Imam Ali ibn abi Taleb (que a paz esteja com ele), o Príncipe dos Fiéis, compilada pelo grande sábio Sharif al-Radhi. Esta obra é a segunda mais importante na literatura ética-moral islâmica, ficando atrás apenas do Alcorão Sagrado, e é um retrato fiel do caráter, eloquência e grandiosidade do Imam Ali (que a paz esteja com ele).

Nahjul Balagha Sermão nº 186

Sobre a unicidade de Deus. Contém os princípios de conhecimento que nenhum outro sermão contém.
Aquele que lhe assinala condições não acredita na sua unicidade, tampouco aquele que o compara (a algo). Aquele que o ilustra não o destaca (de sua criação). Aquele que aponta para ELE e imagina como seja não se refere a ELE. Tudo aquilo que é conhecido por si mesmo foi criado e tudo aquilo que existe devido a outras causas é o efeito. ELE opera, mas não com a ajuda de instrumentos. Fixa as medidas, mas não com o incurso do pensamento. É rico, mas não pela aquisição de algo.
O tempo não lhe faz companhia os implementos não o auxiliam.
Seu ser precede o tempo. Sua existência precede a inexistência e a sua eternidade precede o início. Pela sua criação dos sentidos é sabido que não possui sentidos. Pela contradição em vários assuntos é sabido que não tem contradição e pela similaridade entre as coisas é sabido que nada lhe é similar.
Fez com que a luz fosse contrária a escuridão, com que o brilho fosse contrário a penumbra, com que a secura fosse contrária a umidade, com que o calor fosse contrário ao frio.
Deus produz a afeição entre as coisas antagônicas. Funde diversas coisas, as aproxima e as separa. Não está confinado por limites, não e contado por números. As partes materiais podem cingir coisas da sua própria espécie e os órgãos podem apontar coisas semelhantes a eles próprios. A expressão“ desde que“ desmente a eternidade das coisas; a palavra Qad (denotando proximidade de tempo da ocorrência) desmente a existência de sempre e a expressão “Law la” (se não fosse) as mantém afastadas da perfeição. Mediante elas o Criador se manifesta a inteligência e por meio delas se oculta da visão dos olhos.
A imobilidade e o movimento são estados que não lhe ocorrem.
Como poderia lhe ocorrer algo que ELE próprio fez com que ocorresse?
Se assim não fosse seu ser estaria afeito a diversidade, tornar-se-ia divisível e sua realidade não seria eterna. Se houvesse parte frontal nele, deveria também haver parte traseira. Deus necessitaria de cópia, apenas se a carência se abatesse sobre ELE. Nesse caso os sinais do que foi criado surgiriam nele e se tornaria um sinal do que foi criado e não o contrário.
O fato de que ELE não pode ter as qualidades daquilo que foi criado evidencia que ELE não pode ser afetado pelas coisas que afetam a outros.
Deus é aquele que é imutável. O processo de assentamento não lhe ocorre. Não gerou a ninguém, a menos que se considere que tenha sido gerado. Não foi gerado, caso contrário poderia estar contido dentro de limites. É por demais altíssimo para que tivesse filhos. E puríssimo para entrar em contato com mulheres. A imaginação não o pode alcançar para que lhe designe uma quantidade. A compreensão não pode defini-lo pelo pensamento para que lhe dê uma forma. Os sentidos não o podem perceber para que o sintam. As mãos não o podem tocar para que o avaliem(pelo tato). ELE não muda para qualquer condição. Não passa de um estado para outro. Os dias e as noites não o tornam velho. A luz e a escuridão não o alteram. Não pode se dizer que possua um limite ou extremidade, final ou término, tampouco as coisas podem controla-lo para que o elevem ou o rebaixem, nem, ainda, nada o pode carregar para que o curve ou o mantenha ereto. Não está dentro das coisas nem fora delas. Transmite os alvitres, mas não com a língua ou verbalmente.
Escuta, mas não com cavidades ou órgãos de audição.
Diz, mas não profere. Lembra-se, mas não memoriza. Determina, mas não pelo esforço de sua mente. Ama e aprova sem qualquer fraqueza. Odeia e se zanga sem qualquer constrangimento. Quando pretende criar algo, diz “Seja” e é, mas não por intermédio da voz que seja audível.
Sua fala é um ato de criação (Verbo criador). Igual a ELE, jamais (alguém) existiu. Se (este) tivesse sido eterno, teria sido um segundo deus.
Não se pode dizer que ELE veio a existir depois da inexistência, porque nesse caso os atributos das coisas criadas seriam assinalados a ELE, sendo que não haveria diferença ou distinção entre as coisas criadas e ELE. Sendo assim, o criador e as criaturas se tornariam iguais, o iniciador e o iniciado estariam no mesmo nível.
Deus criou a criação sem qualquer exemplo feito por algum outro e não pediu a assistência de ninguém, de suas criaturas, para criar. Criou à terra e a elevou sem ficar atarefado, susteve-a sem apoio, fê-la ficar de pé sem pernas, elevou-a sem pilares, protegeu-a contra declives e curvaturas e a defendeu quanto a um esfacelamento. Fixou as montanhas nela como estacas, lhe solidificou as rochas, fez correr seus regatos e abriu amplos vales.
Tudo aquilo que fez não apresentou nenhum defeito e tudo aquilo que endireitou não mostrou nenhum ponto fraco. Manifesta-se sobre a terá com sua autoridade e grandiosidade. Está ciente do seu interior por meio do seu conhecimento e entendimento. Supervisiona tudo na terra em virtude da sua sublimidade e dignidade, nada da terra que ELE interpele o contradiz, tampouco se opõe a ELE com o fito de o sobrepujar. Nenhuma criatura de pés ou patas ligeiros pode fugir dele com o intuito de o ultrapassar. ELE não tem precisão quanto a nenhuma pessoa abastada para que esta o tenha que alimentar. Todas as coisas se curvam para ELE e são humildes perante a sua grandiosidade. Elas não podem fugir da sua autoridade e se dirigir a alguém mais, a fim de escapar dos seus benefícios ou da sua justiça. Não há paralelo algum em relação a ELE, não há quem se compare, ninguém como ELE para que o iguale. Poderia destruir à terra, após sua existência, até que tudo que nela existisse deixasse de existir. Mas a extinção do mundo, após sua criação, não é mais admirável do que a sua primeira formação e criação.
Como poderia ser isso? Mesmo se os animais da terra, sejam aves ou mamíferos, cavalares ou bovinos, de diferentes origens e espécies, pessoas insipientes ou sagazes, todos juntos, tentassem criar (nem que fosse) um mosquito, não seriam capazes de o fazer e não entenderiam qual o modo de sua criação. Suas faculdades mentais ficariam desnorteadas e confusas. Seus poderes ver-se-iam deficientes e fracassados, ficariam desapontadas e extenuadas, sabendo que estariam derrotados, admitindo sua inabilidade em produzir aquilo, conscientes ainda, de que seriam muito fracos para (até mesmo) o destruírem.
E depois da extinção do mundo, Deus permanecerá só, sem nada ou ninguém ao seu lado. ELE será, após essa extinção, assim como foi antes da sua produção, sem tempo ou lugar, momento ou período. Naquela ocasião, o período e o tempo não existirão, os anos e as horas desaparecerão. Nada haverá exceto Deus, o único, o todo-poderoso.
Para ELE será o retorno de todos os assuntos. A criação inicial do mundo não estava (vinculada) ao poder da criação, nem a sua extinção. Se tais coisas estivessem (vinculadas) a seu poder, a criação existiria para sempre. Quando Deus fez algo no mundo, tal feito não lhe causou nenhuma dificuldade e a criação de coisa alguma, que criou ou formou, não o cansou. ELE não criou o mundo para elevar sua autoridade, nem por medo de perdas ou danos, nem para ter ajuda contra um opositor, nem para se salvaguardar de algo com sua ajuda, contra algum oponente vingativo, nem para ampliar, com a sua ajuda, o seu domínio, nem para se ufanar diante de algum parceiro, tampouco porque se sentia solitário e desejasse companhia.
Então após sua criação, ELE o destruirá, mas não porque seja tomado de alguma preocupação quanto a sua conservação e sua administração, nem por qualquer prazer que disso resulte, nem por causa de qualquer embaraço que lhe cause. A duração da vida do mundo não o incomoda a ponto de o induzir a sua rápida destruição. Mas Deus, o Glorificado, tem o mantido com a sua benevolência, tem o conservado intacto com o seu comando e tem o aperfeiçoado com o seu poder.
Então, após a destruição, ELE o ressuscitará, mas não por qualquer necessidade sua quanto a isso, nem para buscar a assistência de quaisquer das coisas dele, nem para mudar de estado, ou seja, da solidão para a companhia, nem da ignorância e cegueira para o conhecimento e sabedoria, nem da pobreza e carência para a riqueza e abundância, tampouco da desgraça e inferioridade par a honra e o prestígio.

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