Interpretação do Alcorão -Báqara I

09:38 - 2021/11/13

A segunda e a mais longa Surata (capítulo) do Alcorão Sagrado. É certo que não foi revelada de uma só vez, mas em várias fases, de acordo com as necessidades da sociedade islâmica de Medina. Ela se distingue pela sua abrangência, estendendo-se pelos princípios da crença e as práticas religiosas, sociais, políticas e econômicas dos muçulmanos. Nessa Surata encontramos:

1. Textos a respeito do Monoteísmo e do conhecimento do Criador, desvendando os segredos do Universo. 2. Viagens ao Mundo Vindouro e da Ressurreição, vinculadas aos exemplos sensoriais, como a história de Abraão (a.s.), a ressuscitação do pássaro e a história de Uzair (a.s.). e ...

Interpretação do Alcorão

Interpretação do Alcorão -Báqara  parte 1

A segunda e a mais longa Surata (capítulo) do Alcorão Sagrado. É certo que não foi revelada de uma só vez, mas em várias fases, de acordo com as necessidades da sociedade islâmica de Medina. Ela se distingue pela sua abrangência, estendendo-se pelos princípios da crença e as práticas religiosas, sociais, políticas e econômicas dos muçulmanos. Nessa Surata encontramos:

1. Textos a respeito do Monoteísmo e do conhecimento do Criador, desvendando os segredos do Universo.
2. Viagens ao Mundo Vindouro e da Ressurreição, vinculadas aos exemplos sensoriais, como a história de Abraão (a.s.), a ressuscitação do pássaro e a história de Uzair (a.s.).
3. Exemplos que estão ligados ao milagre do Alcorão e à importância do Livro do Poderoso Deus.
4. Uma longa sucessão de fatos a respeito da situação dos judeus, dos hipócritas e suas negativas quanto ao Alcorão e ao Islã.
5. Exposição da história dos profetas, principalmente de Abraão (a.s.) e Moisés (a.s.).
6. Esclarecimento de diferentes leis islâmicas quanto à oração, ao jejum, à jihad, ao hajj, à quibla (direção de culto), ao casamento, ao divórcio, ao comércio, à dívida, aos juros, aos gastos, às punições, às proibições de alguns alimentos e algumas bebidas, aos jogos de azar, o anúncio das regras de testamento e coisas similares. Quanto a sua denominação, é tirada da história da vaca dos israelitas, quando Moisés (a.s.) lhes pediu: “Deus vos ordena sacrifcar uma vaca” (2:76).

1. Alef, Lam, Mim.
Vinte e nove Suratas (capítulos) do Alcorão iniciam-se com letras separadas do alfabeto árabe. Essas  letras, como denotam os seus nomes, não formam uma palavra. Elas constituem um dos segredos do Alcorão.
Os exegetas deram mais de vinte explicações sobre esse fato, dentre as quais, temos: Que representam nomes das suratas ou do Alcorão; que são atributos de Deus, o Altíssimo. Foi dito, também, que fazem parte das aparências das quais somente Deus possui conhecimento.
Uma das explicações mais aceitas é de que representam os nomes das suratas. Tradicionalmente, os árabes utilizavam letras para dar nomes às coisas e às pessoas. Por exemplo, deram ao pai de Háritha a alcunha de “Bin Lam Attá’i”, sendo que lam é o nome da letra que, no alfabeto árabe, correspondem à letra “L” do alfabeto português.

Ao cobre deram o nome de Sad, equivalente ao som da letra “S”, mais fechada; ao dinheiro deram o nome de ‘ain (sem correspondente em português), às nuvens deram o nome de ghain (também sem equivalente na língua portuguesa). Deram o nome a uma montanha de Kaf (equivalente à letra “K”) e deram à baleia o nome de Nun (equivalente ao “N” português).
Não se pode aplicar esta explicação de forma geral a todo o alfabeto, mas pode-se aceitá-la no caso de algumas letras. Lemos no hadith1 do Imam Assádiq (a.s.)
que “Tá Ha” – nomes de outras duas letras do alfabeto árabe, com sons da letra “T” e “H” aspirado – correspondem a um dos nomes do Profeta (S) e signifcam:
“Óh, quem procura a verdade e orienta para ela”. Com o passar do tempo, “Tá Ha”, como “Yá Sin” – equivalentes ao “I” e ao “S” portugueses –passaram, paulatinamente, a ser nomes particulares do Profeta (S.A.A.S).

O mais próximo da realidade, porém, é a compreensão de que Deus, glorifcado seja, indicou, com a menção das letras, que o Alcorão milagroso é composto das mesmas letras que estão à disposição das crianças e dos ignorantes. Isso depois de desafar os renegadores e os teimosos, revelando sua incapacidade de apresentar qualquer obra poética, ou uma surata sequer, similar à beleza e profundidade do Livro Sagrado.
Deus, dessa maneira, provou, de forma patente, a incapacidade dos soberbos e arrogantes, mostrando que no Alcorão há um segredo e não há explicação para ele a não ser que se trata de uma obra de inspiração divina, não humana.

Da mesma forma que Deus criou da terra tudo o que existe, como as várias espécies de seres vivos (o homem, com toda a sua complexidade, os mais belos e variados pássaros, as mais diversas e coloridas plantas e flores), da mesma forma que produzimos nessa terra as mais variadas culturas agrícolas, Deus, glorifcado seja, criou, das letras sucessivas do alfabeto, conceitos, obras e assuntos com signifcados elevados. No Alcorão, organizou-os em formas belas de pronúncia com expressões equilibradas, com um método peculiar, maravilhoso e milagroso. Essas mesmas letras estão à disposição do homem. Porém, ele é incapaz de produzir frases e expressões similares aos encontrados no Livro Evidente.[1]

 

[1] . Revista Islâmica Evidências

Plain text

  • Tags HTML permitidas: <a> <em> <strong> <span> <blockquote> <ul> <ol> <li> <dl> <dt> <dd> <br> <hr> <h1> <h2> <h3> <h4> <h5> <h6> <i> <b> <img> <del> <center> <p> <color> <dd> <style> <font> <u> <quote> <strike> <caption>
  • Endereços de páginas web e endereços de email são transformados automaticamente em ligações.
  • As linhas e os parágrafos quebram automaticamente.
Fill in the blank.