O procedimento da designação de um sucessor do profeta I

22:23 - 2022/07/05

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Quem pode ser sucessor?

O procedimento da designação de um sucessor, adotado pelo primeiro Califa e pelo segundo, a ausência de protestos contra este procedimento, o espírito geral que prevalecia no dia de Saquifa entre às duas alas rivais da geração de vanguarda (os Mohajerin e os Ançar), a tendência manifesta dos Mohajerin a limitar o poder a si mesmos excluindo aos Ançar, sua insistência sobre as considerações hereditárias, segundo as quais a tribo do Profeta (S.A.A.S.) teria prioridade na sucessão sobre aos demais árabes, a disposição de muitos Ançar em aceitar a idéia de dois Emires (Califas), um entre eles e outro entre os Mohajerin, o fato de que Abu Bakr tinha manifestado, no dia em que foi conduzido ao Califado, seu pesar por não haver perguntado ao Profeta (S.A.A.S.) a quem deveria a questão da sucessão ser destinada... tudo isso demonstra de uma maneira indiscutível, que esta geração de vanguarda da Comunidade Islâmica (incluindo o setor que tinha tomado o poder após a morte do Profeta (S.A.A.S.)não pensava com espírito de Consenso, e não possuía uma idéia precisa do que era este sistema.

Então, como se pode conceber que o Profeta (S.A.A.S.) tenha agido com vista a preparar aos Muçulmanos para o sistema de consenso, e formado a geração de Mohajerin e Ançar para que ela se encarregasse da direção do Chamado Islâmico segundo este sistema, quando não observamos nenhuma aplicação consciente, tampouco uma idéia precisa deste sistema entre esta mesma geração? Por outro lado, é inconcebível que o Mensageiro (S.A.A.S.) tivesse instituído este sistema e definido sua noção e sua legislação, sem se aplicar a preparar os Mu-muçulmanos para isso. Pelo que vimos acima, resulta que o Profeta (S.A.A.S.) não tinha proposto à Comunidade Islâmica o sistema de consenso como solução a sua sucessão, posto que normalmente não é possível que um projeto desta importância não tenha sido debatido de uma forma proporcional à sua importância, e que tal debate não tivesse deixado vestígio algum em parte alguma.

Recapitulemos para explicar melhor nossa linha de raciocínio:
a) O sistema de consenso era, por sua própria natureza, algo novo para a média dos muçulmanos da época., uma média que não havia conhecido nenhum regime governamental estruturado. Era indispensável, por conseguinte, dirigir uma campanha intensiva de explicação sobre este tema, como já mencionamos.
 b) O Consenso, enquanto ideia, é uma noção difícil. Para explicá- la, não bastava enunciá-la, sem explicar os detalhes, regras e critérios suscetíveis de fazer com que a balança se inclinasse de um lado ou de outro no caso de algum desacordo no sistema, e sem precisar se estes critérios deviam estar baseados em número ou quantidade, ou na qualidade e na experiência. Muitos outros detalhes, suscetíveis de determinar os diferentes aspectos do sistema de consenso, e de torná-lo praticável e aplicável imediatamente após a morte do Profeta (S.A.A.S.), deveriam ser postos em evidência, se o Guia da Mensagem (S.A.A.S.) tivesse verdadeiramente apresentado e escolhido esta ideia para resolver o assunto da sucessão.
c) O Sistema de Consenso, na verdade, é a expressão do exercício do poder, de uma forma ou de outra, por parte da Comunidade Islâmica, e a determinação do destino do Governo mediante o consenso. Trata-se, pois, de uma responsabilidade que um grande número de cidadãos deve assumir, ou seja, todos aqueles que sentem que o Consenso lhes diz respeito. Isto significa que se esta constituía uma prescrição jurídica legal destinada a ser aplicada depois da morte do Profeta (S.A.A.S.), o maior número dos cidadãos possível deveria estar informados sobre tal, sendo que teriam o dever de participar ativamente nela, sendo que cada um deles assumiria ali sua parte de responsabilidade.

Tudo isso demonstra que, se o Profeta (S.A.A.S.) houvesse optado pelo sistema de consenso como meio de assegurar a liderança da Comunidade Islâmica depois de seu desaparecimento, lhe seria indispensável lançar ampla e profundamente a ideia do consenso, preparar a todos para ela, preencher todas as lacunas de dúvidas, e explicar todos os detalhes suscetíveis de fazê-la praticável.

 Pois, bem! É impossível que o Profeta (S.A.A.S.) tenha lançado a ideia de Consenso neste nível de profundidade, qualidade e quantidade, e que não permanecesse disso nenhum vestígio em todos os Muçulmanos que viveram com ele até a sua morte.

 Poderia-se construir outra hipótese com este propósito, a saber, que o Profeta (S.A.A.S.) havia lançado a ideia do Consenso tão amplo e extensamente como a situação havia exigido, contudo, certas motivações políticas surgidas subitamente haviam dissimulado a verdade e forçado as pessoas a guardarem silêncio sobre o que tinham ouvido do Profeta (S.A.A.S.), com respeito ao assunto, seus estatutos e seus detalhes. Porém, tal hipótese não resiste a um exame crítico, posto que motivações semelhantes, não incluem aos companheiros que não haviam participado nos acontecimentos políticos que se desenvolveram depois da morte do Profeta (S.A.A.S.), e nem na reunião de As-Saquifa. Eles se mantiveram à parte destes acontecimentos. Estes muçulmanos representavam numericamente uma grande parte da sociedade, fosse qual fosse seu grau de politização. Se a ideia de Consenso tivesse sido lançada pelo Profeta (S.A.A.S.) na forma que temos assinalado, não teria sido ouvida apenas por aqueles que possuíam motivações políticas, mas sim, seria difundida de modo natural por meio dos Companheiros, como foi o caso da difusão dos textos proféticos, concernentes às virtudes do Imam Ali (A.S.) e sua qualidade de Imam, por intermédio destes Companheiros.

Porque as motivações políticas não impediram que nos chegassem, graças aos Companheiros, as centenas de ditos do Profeta (S.A.A.S.) sobre as virtudes de Ali (A.S.), a sua qualidade de líder, e sua autoridade, não obstante, estes ditos não fossem favoráveis para a situação que prevalecia naquela época, mas impediram que os relativos ao Consenso nos fossem transmitidos? Não é este é um paradoxo insustentável?

Um outro ponto é que aqueles que representavam a tendência dominante na época, não invocavam o lema do Consenso (como uma referência atribuí ao Profeta), quando divergências políticas lhes faziam opor-se frequentemente uns aos outros, embora se encontrassem numa situação em que esta reivindicação poderia lhes favorecer. Tomemos um exemplo: Talha se revoltou contra a designação de Omar por Abu Bakr para a sucessão e a desaprovou publicamente, todavia, não cogitou em jogar a carta do Consenso contra esta nomeação como argumento de que a atitude de Abu Bakr seria contrária às tradições do Profeta (S.A.A.S.) referentes ao consenso e a eleição. Se um argumento semelhante tivesse fundamento, não seria ele utilizado?

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