As Dimensões Interior e Exterior do Alcorão

13:33 - 2024/06/19

O Alcorão dirige seus ensinamentos à humanidade em geral e afirma que todo homem pode se desenvolver no conhecimento, e com isso, aperfeiçoar seu comportamento.
 Na verdade, o Alcorão dirige seus ensinamentos especificamente ao mundo do homem. Uma vez que, como mencionamos antes, cada homem possui uma capacidade diferente de entendimento; e desde que a explicação do conhecimento sutil não ocorre sem o risco do equívoco, o Alcorão dirige seus ensinamentos primeiramente ao nível do homem comum.

O Alcorão

O Alcorão no Islam V. As Dimensões Interior e Exterior do Alcorão

No capítulo 4 versículo 36 Deus diz, “Adorai a Deus e não Lhe atribuais parceiros”. O versículo proíbe os árabes pré-islâmicos a adorarem seus ídolos, assim como no capítulo 22 versículo 30 os conclama a: “Afastai-vos da abominação da idolatria e evitai o perjúrio”.
 Ao se refletir sobre isso fica claro que um ídolo pode existir em qualquer forma; portanto, a idolatria é proibida porque envolve submissão a uma entidade além de Deus.
No capitulo 36 versículo 60 Deus trata o demônio como um ídolo quando diz, “Porventura não vos prescrevi, ó filhos de Adão, que não adorásseis Satã...” Fica claro também que outra forma de idolatria é a submissão aos próprios desejos ou à vontade de outros, além da vontade de Deus, o que é indicado no capítulo 45 versículo 23 que se refere à “Aquele que fez de seu desejo seu ídolo”.
Portanto se faz evidente que uma pessoa não deve recorrer à ajuda de nenhum outro senão Deus e não esquecer Dele em nenhuma circunstância, pois se assim o fizer estará se distanciando de Deus. Submeter-se a outros é o mesmo que desprezar a Deus e isso é a própria essência da idolatria.
Assim, no capítulo 7 versículo 179 Deus diz daqueles que se recusam a adorá-lo: “Temos criado para o inferno numerosos gênios e humanos... porque são os displicentes”.
O versículo, “não lhe atribuais parceiros”, claramente proíbe a adoração dos ídolos, isto é, o homem não pode, sem a permissão de Deus, submeter-se a outros ou mesmo a seus próprios desejos, uma vez que tal submissão resultaria na negligência a Deus.

Desse modo, o simples, o texto aparente do versículo revela sentidos múltiplos e exemplifica uma característica que é encontrada por todo o Alcorão. Assim, o dizer do Profeta (relatado nos livros de hadith e comentários), fica evidente: “Em verdade, o Alcorão possui um interior e um exterior, e o interior possui sete dimensões”.

A Sabedoria Contida nos Dois Aspectos do Alcorão A existência primária do homem, a vida temporária neste mundo, se assemelha a uma bolha no imenso oceano do universo material, e uma vez que todas as relações do homem dizem respeito à matéria, ele está, por toda sua vida, à mercê do movimento das ondas do oceano material. Todos seus sentidos estão ocupados com a matéria e seus pensamentos são influenciados pela informação sensorial. Comer, beber, erguer-se, falar, ouvir e todas as demais ações humanas, ocorrem na esfera da matéria e não na esfera do pensamento.

Além disso, ao refletir sobre conceitos como o amor, a inimizade, a ambição ou a nobreza, a pessoa chega a melhor compreendê-los traduzindo-os para a linguagem derivada dos sentidos ou dos objetos materiais, por exemplo, a atração magnética do amor, a chama da ambição ou que o ser humano seja uma “mina de sabedoria. A capacidade de entender o mundo dos significados, que é mais vasto do que o mundo material, varia de homem para homem.

Para uma pessoa pode ser quase impossível imaginá-lo; outra pode percebê-lo somente nos termos mais superficiais, e outra, talvez consiga compreender com facilidade os mais profundos conceitos espirituais. É possível dizer que tanto maior a capacidade do homem de compreender os significados, menos estará ele ligado ao mundo material e à sua atração, à sua aparência enganosa.

O Alcorão no Islam
Por sua própria natureza, cada pessoa possui um potencial para entender os significados espirituais e, contanto que não rejeite essa capacidade, ela poderá ser cultivada e desenvolvida. Não é algo simples reduzir o significado de um nível de compreensão para outro sem que se perca seu sentido. O que é especialmente verdadeiro no que diz respeito aos significados que possuem grande sutileza, a qual não pode ser transmitida, sobretudo para as pessoas comuns, sem uma adequada explicação. Como exemplo, podemos mencionar o hinduísmo: alguém que reflita profundamente sobre as escrituras védicas e que estude os diferentes aspectos de sua mensagem perceberá por fim que sua meta fundamental é a adoração de um Deus único. Infelizmente, essa meta é explicada de um modo tão complicado que o conceito de unicidade chega à mente das pessoas comuns na forma de idolatria e do reconhecimento de muitos deuses.

Para evitar tais problemas, se faz necessário comunicar os significados ocultos além do mundo da matéria numa linguagem que esteja enraizada neste mesmo mundo da matéria e que seja prontamente compreensível. De fato, algumas religiões privaram seus seguidores de direitos que a própria religião lhes havia conferido; as mulheres, por exemplo, no hinduísmo, no judaísmo e no cristianismo, a quem, em geral, é negado o acesso ao conhecimento de seus livros sagrados.
O Islam não priva ninguém de seus direitos no din, e homem e mulher, sábio ou leigo, negro ou branco são iguais no que se refere ao acesso à religião.

Deus afirma isso no capítulo 3 versículo 195: “Nunca desmerecerei a obra de qualquer um de vós, seja homem ou mulher...” E outra vez, no capítulo 49 versículo 13: “Ó humanos, em verdade vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em povos e tribos, para reconhecerdes uns aos outros.
Sabei que o mais honrado dentre vós, perante Deus, é o mais temente. Sabei que Deus é sapientíssimo e que está bem inteirado”.

Assim, o Alcorão dirige seus ensinamentos à humanidade em geral e afirma que todo homem pode se desenvolver no conhecimento, e com isso, aperfeiçoar seu comportamento.
 Na verdade, o Alcorão dirige seus ensinamentos especificamente ao mundo do homem. Uma vez que, como mencionamos antes, cada homem possui uma capacidade diferente de entendimento; e desde que a explicação do conhecimento sutil não ocorre sem o risco do equívoco, o Alcorão dirige seus ensinamentos primeiramente ao nível do homem comum.
Desse modo, o mais sutil dos significados pode ser explicado e idéias e sentidos múltiplos podem ser expressos às pessoas simples, estabelecendo-se correlações entre tais conceitos e os sentidos sensoriais concretos; o significado, portanto, é sempre inerente ao literal das palavras.
O Alcorão se revela de um modo apropriado para os diferentes níveis de compreensão de maneira que cada um se beneficia de acordo com sua própria capacidade. No capítulo 43 versículos 3 e 4 Deus enfatiza essa idéia: “Nós o fizemos um Alcorão árabe, a fim de que o compreendêsseis.
 E em verdade, encontra-se na mãe dos Livros, em Nossa presença, e é altíssimo, prudente”.

Deus descreve a diferença de capacidade de compreensão dos homens na seguinte metáfora no capítulo 13 versículo 17: “Ele faz descer a água do céu, que corre pelos vales, de modo mesurado...” E o Profeta, numa famosa tradição diz: “Nós, os profetas, falamos às pessoas de acordo com a capacidade de seu intelecto”.

Outro resultado da multiplicidade de significados dentro do Alcorão é que os versículos carregam um sentido além de seu texto expresso. Certos versículos contêm metáforas que indicam a gnose divina muito além da compreensão humana, mas que, ainda assim, se tornam compreensíveis por meio de sua forma metafórica.

Deus diz no capítulo 17 versículo 89: “Temos exposto neste Alcorão toda sorte de exemplos, para os humanos, porém, a maioria o nega.E ainda no capítulo 29 versículo 43 Deus fala da metáfora como um meio de expressão: “E estas parábolas, citamo-las aos humanos, porém, só os sensatos as compreendem”. Por conseguinte, devemos concluir que todos os ensinamentos alcorânicos que tratam do conhecimento profundo e sutil estão na forma de similitudes.

Da Orientação do Islam  - O Alcorão no Islam 39
 Allamah Ayyatullah Al-Odhmah Assayed Mohammad Hussein Al-Tabatabaí (K.S.)

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