Os Dois Tipos de Versículos alcorânicos

09:48 - 2024/06/23

Alcorão em duas partes: a explícita e a implícita, a clara e a alegórica, ou em termos alcorânicos, o “muhkam” e o “mutashabih”. O “muhkam” e os versículos que são explícitos, claros e diretos em sua mensagem, e que, portanto, não podem ser mal entendidos, (por outro lado) os versículos “mutashabih” não são dessa natureza. É obrigação de todo crente ter fé e agir de acordo com os versículos “muhkam”. É igualmente sua obrigação crer nos versículos “mutashabih”, porém, ele deve se abster de agir de acordo com eles; essa injunção se baseia na premissa de que somente aqueles cujo coração esteja corrompido ou que cuja crença seja falsa seguem o implícito (mutashabih), forjando interpretações, e, com isso, fraudando as pessoas comuns.

O Alcorão no Islam

O Alcorão no Islam. Parte 6
Os Dois Tipos de Versículos alcorânicos o Explícito e o implícito

No capítulo 11 versículo 1 Deus diz do Alcorão: “Eis o Livro com os versículos fundamentais”. E com isso concluímos o sentido de “cujos significados são perfeitos, bem detalhados, estabelecidos e seguros”.

No capítulo 39 versículo 23, se lê: “Deus revelou a mais bela mensagem: um Livro homogêneo e reiterativo. Por ele, arrepiam-se as peles daqueles que temem a seu Senhor...”

No capítulo 3 versículo 7, Ele diz: “Ele foi quem te revelou o Livro; nele há versículos explícitos, que são a base do Livro, havendo outros alegóricos. Aqueles, cujos corações abrigam a dúvida, seguem os alegóricos, a fim de causarem dissensões, interpretando-os capciosamente, Porém, ninguém, senão Deus, conhece a sua verdadeira interpretação. Os sábios dizem: Cremos nele (o Alcorão), tudo emana de nosso Senhor...” O primeiro dos versículos descreve as seções do Alcorão cujo sentido é explícito, claro, livre de contradições e isento de (possíveis) interpretações errôneas.

O segundo se refere a todos os versículos cujo sentido é implícito, e que são considerados alegóricos. A seguir, indica que os dois tipos partilham de características comuns: beleza, elegância de linguagem e um poder miraculoso de expressão, que estão presentes em todo o Alcorão.

O terceiro versículo em análise divide o Alcorão em duas partes: a explícita e a implícita, a clara e a alegórica, ou em termos alcorânicos, o “muhkam” e o “mutashabih”. O “muhkam” e os versículos que são explícitos, claros e diretos em sua mensagem, e que, portanto, não podem ser mal entendidos, (por outro lado) os versículos “mutashabih” não são dessa natureza. É obrigação de todo crente ter fé e agir de acordo com os versículos “muhkam”.

É igualmente sua obrigação crer nos versículos “mutashabih”, porém, ele deve se abster de agir de acordo com eles; essa injunção se baseia na premissa de que somente aqueles cujo coração esteja corrompido ou que cuja crença seja falsa seguem o implícito (mutashabih), forjando interpretações, e, com isso, fraudando as pessoas comuns.

Os significados dos Versículos Explícitos e implícitos, segundo os Comentadores e Eruditos. Há muita diferença de opinião entre os eruditos islâmicos com respeito ao significado dos versículos explícitos e implícitos, chegando a quase vinte diferentes pontos de vista sobre a matéria.

Nós podemos, contudo, concluir a partir das opiniões dos comentadores, desde o tempo do Profeta até nossos dias, que os versículos explícitos são claros e livres de contradição, e que uma pessoa tem o dever de acreditar e agir de acordo com esses versículos.

Os versículos implícitos, por outro lado, são aqueles cujo aspecto aparente parece expressar um sentido, mas que contêm um sentido mais verdadeiro adicional cuja interpretação somente é conhecida por Deus; o homem não tem acesso a ele. Entretanto, ele tem o dever de crer nesses versículos, porém, não deve agir de acordo com eles. Essa opinião é confirmada entre os sábios sunitas. É também sustentada pelos sábios xiitas, com exceção daqueles que crêem que o Profeta e os Imames de sua família também compreendiam os sentidos ocultos. Eles também sustentam que o homem comum deve buscar o conhecimento dos versículos implícitos a partir dos ensinamentos de Deus, do Profeta e dos Imames. Essa opinião, embora sustentada pela maior parte dos comentadores, não está, em vários aspectos, de acordo com o texto do início do versículo, “Ele foi quem revelou o Livro; nele há versículos explícitos, que são a fonte (base) do Livro...” o método de orientação e Explicação Empregado no resto do alcorão Isto podemos atribuir, primeiramente, ao fato de que não há nenhum versículo cujo sentido seja totalmente obscuro uma vez que o Alcorão descreve a si próprio como uma luz, uma orientação e uma explicação. Assim, não é correto que existam versículos que não revelem seu sentido, ou que não se esclareça o Alcorão como um todo.
Devemos examinar novamente o versículo, “Não meditam acaso, no Alcorão? Se fosse de outra origem, que não de Deus, haveria nele muitas discrepâncias”[1].  Portanto, a reflexão sobre o Alcorão removerá todo tipo de aparentes incompatibilidades tornando inaceitável que se diga, como faz a maior parte dos sábios, que os versículos implícitos não podem ser totalmente entendidos e que as aparentes contradições não podem ser resolvidas.

Outros eruditos dizem que o que se quer dizer com “versículos implícitos” são as letras encontradas no início de algumas suras1[2]. Contudo, devemos lembrar que os versículos implícitos são assim chamados quando lidos em relação com os explícitos. O que indica que acompanhando o sentido oculto do versículo implícito, há um sentido superficial (ou literal) e desse modo, os sentidos real e aparente estão juntos numa intrincada relação. Deve ser entendido que as letras de abertura de certas suras (capítulos) não possuem nenhum sentido literal.

Ao que parece, um grupo de extraviados usaram os versículos implícitos para desviar as pessoas, porém, jamais se ouviu no Islam sobre alguém que tenha usado as letras “muqatta’ah” para fazer isso. Alguns comentadores dizem que o significado da palavra “mutashabih”, (no versículo), se refere à famosa história dos judeus que desejavam encontrar uma indicação da duração do Islam na ordem das letras, porém, o Profeta costumava recitá-las uma a uma e assim, confundia seus cálculos. Essa opinião também é infundada já que, mesmo se a história for verídica, não é de suficiente impacto, nem de convicção, para ser considerada uma interpretação para o sentido dos versículos implícitos.
A Perfeição do alcorão

Qualquer coisa que os judeus falassem, não conteria qualquer intenção maligna, pois, mesmo se a religião, o din, do Islam, fosse de um período limitado (e assim, sujeito à ab-rogação) suas observações não seriam de modo alguma uma crítica para a pureza e a realidade do Islam, considerando que todas as religiões reveladas por Deus anteriores ao Islam foram limitadas a certo período e passíveis de ab-rogação. Em segundo lugar, essa opinião implica que a palavra “ta’wil” (que pode ser traduzida por “interpretação”) no versículo se refira a um sentido diverso ao do sentido literal e aparente e que seja empregado apenas como uma referência aos versículos implícitos.

Tal suposição é incorreta, como veremos num capítulo posterior que trata da exegese “ta’wil” e da revelação “tanzil” (do texto, letra ou versículo). Como a exegese na terminologia alcorânica não se refere a um sentido, mas a vários, abrange termos como realização, cumprimento, interpretação e explicação. Também discutiremos como todos os versículos alcorânicos possuem uma interpretação específica, e não apenas suas definições explícitas e implícitas.

Ao se examinar (o versículo), as palavras versículos explícitos (ayat muhkamat) se encontram para descrever a frase “Elas são a fonte (a base) do Livro”, significando que os versículos explícitos incluem os assuntos mais importantes do Livro, e que o tema do resto dos versículos é secundário e que depende dos primeiros. O que dá a entender que o ponto real tencionado a ser transmitido pelos versículos implícitos se refere aos versículos explícitos.

Assim, os significados do implícito são esclarecidos por meio da consulta a fonte dos versículos explícitos. Portanto, não nos restam quaisquer versículos que não possuam uma óbvia indicação no que tange a seu verdadeiro sentido; ou são absolutamente claros, por serem versículos explícitos ou, no caso dos versículos implícitos, se esclarecem por meio de outros versículos.

Quanto às letras no início das suras (capítulos), não possuem qualquer sentido aparente já que não são vocábulos no sentido normal e não detêm nenhum sentido compreensível ao ser humano; assim, estão fora da classificação de explícitos ou implícitos.

E ainda, sugerimos ao leitor um exame do seguinte versículo a fim de enfatizar a veracidade de nossa opinião: “E por que não meditam acerca do Alcorão? Acaso há cadeados em seus corações?” E também, o versículo, “Não meditam acaso, no Alcorão? Se fosse de outra origem, que não de Deus, haveria nele muitas discrepâncias”.
Da Orientação do Islam  - O Alcorão no Islam 45
 Allamah Ayyatullah Al-Odhmah Assayed Mohammad Hussein Al-Tabatabaí (K.S.)

 

[1] . C.4 – V.82 haveria nele muitas discrepâncias”

[2] . Que são conhecidas como letras “muqatta’ah”, tais como Alif, Lam, Mim, Alif, Lam, Ra, Ha Mim, cujo sentido real é desconhecido

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