COMO NASCEU O XIISMO?

10:00 - 2022/07/03

Pode-se dizer que o xiismo é o produto natural do Islam e a representação da tese na qual se devia encaminhar o chamado Islâmico para salvaguardar um desenvolvimento são depois do falecimento do Profeta (S.A.A.S.).
Esta tese pode ser deduzida logicamente do desenvolvimento do Chamado Islâmico que, em razão da natureza de sua formação e das circunstâncias em que se encontrava, foi dirigido pelo próprio Profeta (S.A.A.S.). Este se encarregava, da direção de uma missão revolucionária e conduzia uma operação de mudança radical na sociedade, de suas normas, de seus regulamentos e concepções. Para ter êxito nesta empreitada, a rota a percorrer não seria curta, ao contrário, devia prolongar-se numa longa série de enormes disparidades morais entre a sociedade pré-islâmica e o Islam.

Quantos xiitas têm no mundo?

O Chamado Islâmico empreendido pelo Profeta (S.A.A.S.) tinha a árdua tarefa de reeducar o homem pré-islâmico e moldá-lo à imagem do Islam, fazendo-o portar uma nova luz e extirpando dele todas as raízes e sequelas o passado da época da ignorância.
O Profeta (S.A.A.S.) logrou, num curto espaço de tempo, passos gigantescos nesta operação revolucionária. Faltava, pois, que a ação que ele havia empreendido continuasse depois de sua morte. Assim, algum tempo antes de seu falecimento, o Profeta (S.A.A.S.) havia pressentido que seus dias estavam contados, e havia anunciado isto publicamente na Peregrinação da Despedida. Por conseguinte, a morte não o surpreendeu. Isso significa que, mesmo que não tenhamos em conta o fator da Revelação e da Providência, e de seu papel na Orientação do Profeta (S.A.A.S.) quanto ao futuro do Chamado, que o Profeta tinha todo o seu tempo para pensar na sorte do Chamado depois de seu desaparecimento.

O Primeiro Caminho
O primeiro caminho que se apresentava ao Profeta (S.A.A.S.) consistia em adotar uma atitude passiva com respeito ao futuro da Mensagem, contentando-se com dirigi-la e orientá-la durante sua existência, deixando o cuidado quanto a este futuro às circunstâncias e ao acaso. Contudo, não se poderia considerar tal passividade da parte do Profeta (S.A.A.S.), posto que esta passividade se deriva de duas hipóteses que simplesmente não correspondem ao estado de espírito do Mensageiro de Deus (S.A.A.S.):
1 - Pensar que o fato de não empreender nada para assegurar o futuro da Mensagem não terá incidência alguma sobre este futuro, e que a comunidade Islâmica, que herdará a mensagem, será capaz de assegurar sua proteção e de impedir seu desvio.

Vemos que, semelhante visão do futuro da Mensagem não está em conformidade com a realidade da situação que prevalecia. Esta induzia mais a se ter uma visão contrária. Porque a Mensagem, tendo consistido de uma ação de transformação revolucionária radical, em estado embrionário, com vista a edificar a comunidade Islâmica e a extirpar as raízes da ignorância, ficaria exposta a todo tipo de graves perigos se seu guia (o Profeta) desaparecesse de cena sem prever nada para sua sucessão.
Existiam, antes de mais nada, os perigos derivados de uma situação em que se consideraria um vazio para o nada que se havia previsto, e a necessidade de se improvisar apressadamente, sob o grande choque que o desaparecimento do Profeta provocaria (S.A.A.S.). Pois, se este abandonasse a cena sem planejar o futuro do Chamado Islâmico, a comunidade teria, como primeira responsabilidade o enfrentar, e sem guia, dos problemas mais graves que se delineariam a mensagem, quando não estaria preparada para semelhante situação.
Deste modo, esta situação imporia à Comunidade Islâmica a tomada de decisão prematura e improvisada, apesar da gravidade do problema ao qual se veria confrontada, já que o vazio criado não poderia esperar.
Portanto, qual é o valor de semelhante decisão prematura sob o efeito do choque que experimente a Comunidade Islâmica, diante do desaparecimento de seu grande guia? O choque que a Comunidade Islâmica recebeu ao perder seu Profeta criou tal comoção que foi de uma natureza capaz de interromper a normalidade do raciocínio, que levou um companheiro bem conhecido a declarar sob forte emoção: “Não! O Profeta não está morto! Nem morrerá!”

Existia a continuação dos perigos provenientes do fato de que a Comunidade Islâmica não havia alcançado um grau de maturidade doutrinária, que permitisse ao Profeta (S.A.A.S.) assegurar-se previamente da objetividade da atitude que seria adotada após a sua morte, da concordância desta atitude com o marco da missão do Chamado Islâmico, de sua capacidade para vencer as contradições latentes que, habitavam no íntimo dos muçulmanos, divididos em Emigrados e Residentes de Medina, árabes coraichitas e árabes não-coraichitas, mequenses e medinenses.
Depois, existiam também os perigos provenientes dos falsos convertidos que conspiravam secreta e constantemente contra o Islam enquanto o Profeta (S.A.A.S.) ainda vivia. Trata-se daqueles a quem o Alcorão Sagrado designa como hipócritas. E se acrescentarmos a esses, um grande número de indivíduos que haviam convertido ao Islam depois da Conquista, menos por convicção que por submissão ao fato consumado, podemos imaginar os perigos que representariam tais elementos quando se encontrassem subitamente com as mãos livres numa situação de vazio de poder e ausência de Guia.

A gravidade da situação que deveria prevalecer após o desaparecimento do Profeta (S.A.A.S.), não poderia escapar à percepção de nenhum líder que houvesse exercido uma ação missionária, e com maior razão, ao Selo dos Profetas. E se se admitir: …que Abu Bakr não se tenha permitido abandonar o cenário antes de intervir ativamente no destino de sua sucessão com o fim de garantir o futuro do Califado, com o pretexto de uma medida de precaução. - que os muçulmanos tenham corrido até Omar quando este havia sido ferido, implorando: “Se nos fizesses uma promessa...! “ (Se designar um sucessor). (Tarikh al-Tabari, 5/26), temendo o vazio que se criaria após sua morte, e isto apesar de que uma certa maturidade política e social tivesse começado a se delinear na Comunidade Islâmica, dez anos depois do desaparecimento do Mensageiro (S.A.A.S.), e que Omar, compartilhando desta apreensão, tenha designado seis possíveis sucessores. …que Omar estava consciente da gravidade da situação no Dia de Saquifa (dia da designação de um sucessor ao Profeta (S.A.A.S.)), e das complicações que poderia criar a designação improvisada de Abu Bakr para o Califado, posto que tenha declarado sobre isto: “Foi um erro e Deus nos enviou as fastidiosas consequências.” (Tarikh al-Tabari, 3/ 20), e desde que o próprio Abu Bakr justificou sua pressa em aceitar o poder e a grande responsabilidade da sucessão do Profeta (S.A.A.S.), pela gravidade da situação (criada em conseqüência da morte do Profeta (S.A.A.S.)) e a necessidade de se encontrar uma rápida solução, declarando quando o criticaram por ter aceito a sucessão:
“O Mensageiro de Deus faleceu num momento em que os fiéis não possuíam suficiente perspectiva para esquecerem a ignorância Então eu temi que caíssem em discórdia. Por isso que meus amigos me encarregaram desta responsabilidade.” (Sharh al-Nahy, Ibn Hadid, 6/42).

Se tudo isso estava certo, por conseguinte o resultado natural e evidente seria que o Precursor e Profeta do Chamado Islâmico era alguém mais consciente que qualquer outro da gravidade de uma atitude passiva para com o destino do Islam após a sua morte, e que ele compreendia melhor do que ninguém a natureza da situação e o que ela exigia.
2- A segunda hipótese absurda que explicaria a presumida passividade do Profeta com respeito a sorte e o futuro da Mensagem depois de sua morte, consiste em pensar que, ainda que ele fosse consciente do perigo que acarretava essa passividade, não fez nada que pudesse prevenir o Chamado quanto a este perigo, isto porque tenha considerado (a posição) de Mensageiro com um espírito interesseiro, contentando-se em protegê-la enquanto vivia, com o fim de auferir proveito e desfrutar de suas vantagens, sem sequer se preocupar com a sobrevivência da Mensagem depois de seu desaparecimento.

Hipótese esta, tanto mais insensata que, inclusive se destituíssemos o Profeta (S.A.A.S.) de sua qualidade de Mensageiro de Deus e se esquecêssemos de que ele estava em contato permanente com a Providência Divina em tudo o que tocava ao Chamado Islâmico, e inclusive se nos contentássemos em considerá-lo como um dirigente missionário, similar a outros dirigentes de mensagens, esta hipótese não poderia aplicar-se a ele, líder missionário inigualável na devoção que demonstrava à Mensagem, na fidelidade que consagrava e nos sacrifícios que ofereceu até o último momento de sua vida.
Toda sua história presta testemunho disto. Inclusive quando estava sobre seu leito de morte e sua enfermidade se agravava seriamente, não cessou de preocupar-se com uma batalha para a qual tinha estabelecido planos e havia preparado o exército de Oçama. De seu leito de morte não cessava de dar as ordens seguintes, entrecortadas por repetidas perdas de consciência: “Preparai o exército de Oçama! Colocai-o em pé de guerra!” (Tarikh al-Kamil, de Ibn Athira e outros).

Se o Profeta (S.A.A.S.) se mostrava tão preocupado com um dos aspectos militares da Mensagem, mesmo quando se encontrava em seu leito de morte, e sabendo que morreria antes de vir a colher os frutos desta batalha, como se pode conceber que não se preocupasse sobre o futuro do Islam e que não estabelecesse planos para protegê-lo dos perigos que o espreitariam após sua morte? Enfim, um único fato, ocorrido durante a última enfermidade do Mensageiro (S.A.A.S.), é suficiente para provar que ele não havia escolhido este primeiro caminho e que estava muito distante de adotar uma atitude passiva frente ao futuro da Mensagem, de ignorar o perigo de uma atitude semelhante, o de não se preocupar.

O relato seguinte foi narrado em todas as coletâneas de tradição dos muçulmanos, sunitas e xiitas: trata-se daquilo que o Profeta (S.A.A.S.) disse no momento de sua morte na presença de várias testemunhas, entre os quais Omar al-Khattab: “Tragam a prancheta e o tinteiro para que se escreva uma carta (testamento), por meio da qual jamais vos desviareis” (Masnad Ahmad 1/300). Este gesto de orientação, cuja autenticidade é aceita entre os muçulmanos de modo unânime, demonstra claramente que o Profeta (S.A.A.S.) pensava nos perigos que se projetavam sobre o porvir, e que estava profundamente ciente da necessidade de imunizar a Comunidade Islâmica contra o desvio, e de proteger a Mensagem dos riscos de corrupção e destruição. Portanto, em nenhum caso se pode contemplar a hipótese de uma atitude passive por parte do Profeta (S.A.A.S.) com respeito ao futuro do Chamado Islâmico.

 

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