Os diferentes grupos de comentadores do Alcorão I

16:28 - 2023/04/05

- Após o falecimento do Profeta um grupo de companheiros, que incluía Ubayy Ibn Ka’b, ‘Abd Allah Ibn Mas’ud, Jabir Ibn Abd Allah Al Ansari, Abu Sa’id Al Khudri, ‘Abd Allah Ibn Al Zubayr, ‘Abd Allah Ibn Umar, Anas, Abu Hurayrah, Abu Musa, e, sobretudo, o famoso ‘Abd Allah Ibn Abbas, ocupou-se da ciência do comentário. Da mesma maneira que tinham ouvido o Profeta explicando os significados dos versículos, transmitiram esse ensinamento oralmente às pessoas de confiança.

Os diferentes grupos de comentadores do Alcorão I

Os diferentes grupos de comentadores do Alcorão I

As tradições que dizem respeito especificamente ao assunto dos versículos do Alcorão sagrado chegam a mais de duzentas e quarenta; muitas foram transmitidas por intermédio de cadeias de transmissão fracas e o texto de algumas delas não é aceito por ser considerado incorreto ou sem autenticidade.

Às vezes, a transmissão incluía comentários baseados em julgamentos pessoais em vez da narrativa dos dizeres verídicos do Profeta. Os comentadores sunitas tardios consideraram esse tipo de comentário parte do conjunto de dizeres do Profeta, uma vez que os companheiros eram instruídos na ciência do comentário alcorânico. Argumentaram que esses companheiros tinham adquirido seu conhecimento dessa ciência diretamente do Profeta e que seria improvável que dissessem algo que eles próprios tivessem inventado. Todavia, não há prova absoluta alguma para esse raciocínio.

Uma grande proporção desses dizeres ou tradições sobre as razões e circunstâncias históricas da revelação dos versículos não possui uma cadeia de transmissão aceitável. Deve ser observado que muitos dos narradores, como Ka’b Al Akhbar, foram companheiros instruídos que haviam pertencido a outras formas de fé antes de abraçarem o Islam. Ademais, não devemos desconsiderar que Ibn Abbas tinham o costume de expressar os significados dos versículos na forma de poesia. Em uma de suas narrativas mais de duzentas questões de Naf’ Ibn Al Azraq são respondidas desta forma; Al Suyuti em sua obra, al Itqán, relatou cento e noventa dessas questões.

Portanto, é evidente que muitas narrativas dos comentadores entre os companheiros não podem ser contadas como narrativas reais do próprio Profeta; assim, esse material adicional relatado pelos companheiros não deve ser aceito.

O segundo grupo de comentadores do Alcorão sagrado foi formado pelos seguidores dos companheiros (tabi’in), seus discípulos. Dentre eles encontramos Mujáhid, Sa’id Ibn Jubayr, Ikrimah e Dahhak. Também eram desse grupo Hassan Al Basri, ‘Ata Ibn Abi Rabah, ‘Ata Ibn Abi Muslim, Abu al Aliyah, Muhammad Ibn Ka’b, Al Qurazi, Qatadah, ‘Atiyah, Zayd Ibn Aslam e Ta’us Al Yamani.

O terceiro grupo de comentadores do Alcorão sagrado se compunha dos discípulos do segundo grupo, nomeadamente, Rabi Ibn Anas, Abd Al Rahman Ibn Zayd Ibn Aslam, Abu Salib Al Kalbi e outros. Os tabi’in às vezes narravam o comentário sobre um versículo como uma tradição do Profeta ou de seus companheiros e, usualmente, explicavam seu significado sem atribuir um narrador para a fonte, faziam isso, sobretudo, quando havia alguma dúvida sobre a identidade do narrador. Os comentaristas posteriores trataram essas narrativas como tradições do Profeta, porém, as contavam como “mawquf” em sua ciência de níveis de hadith (isto é, como uma tradição cuja cadeia de narração não remonta ao Profeta).

O quarto grupo era composto dos primeiros compiladores de comentários, como Sufyan Ibn Uyaynah, Waki Ibn Al Jarrah, Shu’bah Al Hajjaj e Abd Ibn Humayd; o grupo também incluía Ibn Jarir Al Tabari, o autor do famoso “Comentário Alcorânico”. Esse grupo registrou os dizeres dos companheiros e de seus seguidores com uma cadeia de narradores em suas obras de comentário; se abstiveram de expressar opiniões pessoais exceto, talvez, Ibn Jarir Al Tabari que às vezes expressava suas opiniões indicando sua preferência quando discutia duas tradições semelhantes. A base da obra dos grupos posteriores pode ser identificada nesse grupo.

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