COMO NASCEU O XIISMO? II

10:00 - 2022/07/06

O segundo caminho que o Profeta (S.A.A.S.) poderia escolher frente ao futuro da Mensagem, era o de adotar uma atitude ativa e preparar um plano para sua sucessão, que consistiria em confiar a tutela do Chamado Islâmico e a direção da experiência.

Qual a diferença entre os muçulmanos xiitas e sunitas?

O segundo caminho que o Profeta Mohammad poderia escolher frente ao futuro da Mensagem 1

O segundo caminho que o Profeta (S.A.A.S.) poderia escolher frente ao futuro da Mensagem, era o de adotar uma atitude ativa e preparar um plano para sua sucessão, que consistiria em confiar a tutela do Chamado Islâmico e a direção da experiência à própria Comunidade Islâmica, a qual seria representada, segundo o sistema do Consenso, pela primeira geração doutrinária que abrangia o conjunto dos Mohajerin e dos Ançar. Esta geração, representante da Comunidade Islâmica, seria o fundamento do poder e a figura central da direção da Mensagem no curso de seu desenvolvimento. Porém, ainda assim, um exame sério da situação geral que prevalecia na época do Profeta (S.A.A.S.), e dos fatos incontestá- veis que se conhecem do Mensageiro, do Chamado Islâmico e de sua vanguarda, refuta esta suposição e nos conduz a constatação de que o Profeta (S.A.A.S.) não confiou à Comunidade Islâmica, representada por sua geração de vanguarda, o cuidado de designar a direção da Mensagem segundo o princípio do Consenso. Se seguem alguns pontos explicativos e demonstrativos deste exame:

A - Se fosse certo que o Profeta (S.A.A.S.) havia adotado uma atitude passiva frente ao futuro da Mensagem, preconizando a aplicação de um sistema de Consenso imediatamente depois de sua morte, que tivesse o poder de designar uma direção à Mensagem, esta atitude teria exigido do Profeta (S.A.A.S.) (e teria sido a menor das coisas, ou o mais evidente a fazer) aplicar-se a familiarizar a Comunidade Islâmica e os pioneiros do Chamado Islâmico com este sistema de Consenso, suas regras e seus detalhes, conferirlhe um caráter religioso e sagrado, a fim de preparar a sociedade Islâmica (intelectual e espiritualmente) para acomodar-se a ele, sabendo que esta se constituía de tribos que não haviam vivido, antes do Islam, uma situação política baseada no Consenso, mas sim, num sistema clássico e tribal onde prevalecia, em grande medida, a força, a fortuna e o fator da herança. Não obstante, é fácil constatar que o Profeta não havia desenvolvido uma atitude cuja natureza preparasse as pessoas para um regime de Consenso e seus detalhes legislativos. Se assim tivesse sido, isso haveria refletido de modo natural nos ditos do Mensageiro, na mentalidade da Comunidade Islâmica, ou, ao menos, na mentalidade da geração de Vanguarda considerada responsável pela aplicação do sistema de Consenso. Pois bem, buscando nos ditos do Profeta (S.A.A.S.), não encontramos nenhuma imagem legislativa precisa do sistema de Consenso, e quando examinamos a mentalidade da Comunidade Islâmica ou da sua geração de[ vanguarda, não encontramos nenhuma menção e nenhum reflexo preciso de ação ou de preparação para este sistema. De fato, a geração de vanguarda compreendia duas tendências: 1- A tendência dirigida pelos Ahlul Bait (A família do Profeta que abrangia, segundo os xiitas duodécimos: seu primo e genro Ali ibn Abu Talib, sua filha Fátima Azzahra, assim como seus descendentes). 2- A tendência representada pela Saquifa (os que ali se reuniram) e o Califado que tomou o poder efetivo depois da morte do Profeta. No que concerne à primeira tendência, esta acreditava na “pré designa- ção” e no Imamato, pondo em destaque o parentesco com o Profeta (S.A.A.S.). Esta corrente nada fez que pudesse deixar entender que acreditasse na idéia do Consenso. Quanto à segunda, todos os fatos na vida prática e nos atos de seus aderentes, demonstram indubitavelmente que estes não acreditavam no princípio do Consenso, e que não haviam fundado seu exercício de poder sobre este princípio. Ocorre o mesmo com todos os setores muçulmanos contemporâneos ao período do falecimento do Profeta (S.A.A.S.). Citemos alguns exemplos em apoio a esta afirmação:Quando o estado de saúde de Abu Bakr se agravou, ele designou a Omar ibn al-Khattab para sua sucessão (o Califado) e pediu a Othman que redigisse seu testamento: “Em nome de Deus, Clemente e Misericordioso. Eis aqui o que o Califa do mensageiro de Deus, Abu Bakr confiou aos crentes e aos muçulmanos: Que a paz esteja convosco, Louvado seja Deus. Designo para vós, à Omar ibn al-Khattab. Escutai-o pois, e obedecei-o.” E quando Abdur Rahman ibn Awf se aproximou dele e perguntou: “Como estás, ó Califa do Mensageiro de Deus?” Ele respondeu: “Estou moribundo. E vós, vós haveis agravado aquilo que me faz sofrer, quando vendo que designei um de vós, cada um de vós tinha a narina inflada e pedia a designação para si” (Tarikh al-Ya’qubi, 2/126/7).Este procedimento de sucessão ao Califado e o protesto que suscitou entre a oposição demonstra que o Califa (Abu Bakr) não pensava de acordo com o princípio do consenso e acreditava ter o direito de nomear seu sucessor, e que esta nomeação impunha a obediência por parte dos Muçulmanos. Não se tratava de uma simples proposição de candidatura, mas sim uma obrigação e uma nomeação. Pode-se observar como Omar ibn al Khattab igualmente acreditava que tinha o direito de impor aos Muçulmanos um sucessor ao Califado, assim, designou a seis pessoas e lhes pediu que escolhessem a uma entre elas para que fosse o Califa, sem deixar ao conjunto dos Muçulmanos nenhum papel real nesta “eleição”. Ou seja, nem o procedimento adotado pelo primeiro Califa, Abu Bakr, para assegurar sua sucessão, tampouco o do segundo Califa, Omar ibn alKhattab, refletiam um espírito de consenso. Da mesma maneira, ao nos referirmos às declarações e atitudes de um e de outro, não observamos vestígios deste espírito de consenso. Assim, quando se perguntou a Omar sobre sua sucessão, este disse:

“Se um destes homens (Salim Mawla ibn Abu Huthaiqa e AbuUbaida al-Yassah) estivesse presente, eu haveria de confiar a ele o califado. E se Salim estivesse vivo, eu o teria feito sem consenso”. (Tabaqat Ibn Saad, 3,248) Quanto a Abu Bakr, em seu leito de morte, confidenciou a Abdur Rahman ibn Awf: “Gostaria de ter perguntado ao Mensageiro de Deus, a quem deveria ser referido este assunto (a sucessão), desta forma, ninguém teria disputado sobre isso.” (Tarikh al-Tabari, 4,52)

 Quando os Ançar, reunidos na Saquifa, decidiram designar a um dos seus   para liderar os Muçulmanos depois da morte do Profeta (S.A.A.S.), um deles se alarmou: “E se os Muhajirín de Coraich se opusessem e fizessem valer seu direito (a sucessão) na sua qualidade de Muhajirín, fiéis companheiros do Profeta e membros de sua Família?” “Nós lhes diríamos então: “Um Califa dos nossos e um de vós. É nossa última palavra,” lhes responderam. Efetivamente, Abu Bakr se dirigiu a eles (os Ançar) e fez o seguinte discurso: “Nós, os Muçulmanos emigrados (Mohajerin), fomos os primeiros a nos convertermos ao Islam. As pessoas nos tem seguido. Somos a tribo do Mensageiro de Deus e descendentes dos árabes mais honoráveis”. E quando os Ançar sugeriram que o Califado se destinasse alternadamente aos Ançar e aos Mohajerin, Abu Bakr respondeu: “Quando veio o Mensageiro de Deus, os árabes não quiseram renunciar a religião de seus ancestrais. É por isso que se opuseram a ele e lhe causaram dificuldades. Deus designa aos primeiros emigrados de sua tribo (do Profeta) para crer nele. Eles são, por conseguinte, os primeiros a adorar a Deus sobre a terra. Eles têm, mais do que ninguém, o direito à sucessão. Ninguém pode discutir este direito senão injustamente.” E quando al-Habbab ibn al-Mundir se dirigiu aos Ançar para incitá- los a permanecerem em sua posição, dizendo-lhes: “Submetei ao que tendes em vossas mãos. As pessoas vivem sob vossa sombra e sobre vossa terra. Se estes (os emigrados) se negam, então (que seja) um emir nosso e um deles.” Omar ibn al-Khattab respondeu: “Jamais se reúnem duas espadas em uma só bainha... Aquele que discuta conosco o poder e a sucessão de Mohammad, apesar de que somos os companheiros fiéis e a tribo, não pode ser senão um falso, com tendência ao pecado ou empenhando num grande erro” (Sharh al-Nahj tomo 6, p.6- 9 , textos sobre o dia de Saquifa).

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